"Podemos provavelmente reconhecer o sentimento que às vezes ocorre quando estamos diante de algo estupendo, impossível de ser traduzido em palavras. Existe um conhecimento que não pode ser articulado, uma apreensão que escapa ao pensamento conceitual, um sentido de “presença” que todas as nossas imagens e símbolos expressam apenas vagamente, diante do qual podem tão-somente ficar calados, sem palavras. Podemos também reconhecer o temor que preenche a mente diante da vasta imensidão do espaço e o poder catastrófico de terremotos planetários e supernovas. Podemos sentir nossa impotência perante a fome, a poste e as mortes inevitáveis à medida que atravessam nosso mundo humano. E podemos, às vezes, sentir a beleza inebriante, de intensidade quase insuportável, quando subitamente, em um momento milagroso, discernimos o mundo em toda a sua intrincada ordem e sutil intensidade."
- Deus: Um Guia para os Perplexos - Keith Ward
26
May
"Não há nada a lamentar sobre a morte, assim como não há nada a lamentar sobre o crescimento de uma flor. O que é terrível não é a morte, mas as vidas que as pessoas levam ou não levam até a sua morte. Não reverenciam suas próprias vidas, mijam em suas vidas. As pessoas as cagam. Idiotas fodidos. Concentram-se demais em foder, cinema, dinheiro, família, foder. Suas mentes estão cheias de algodão. Engolem deus sem pensar, engolem o país sem pensar. Esquecem logo como pensar, deixam que os outros pensem por elas. São feios, falam feio, caminham feio. Toque para elas a maior música de todos os tempos e elas não conseguem ouví-la. A maioria das mortes das pessoas é uma empulhação. Não sobra nada para morrer."
- (Charles Bukowski)
(Source: yasssep)
"Tendemos todos a concordar quanto a alguns preceitos éticos fundamentais: não matar, não furtar, em suma, não prejudicar o outro. Mas podemos divergir sobre o que eles significam. Por exemplo, “não matar” é apenas não tirar a vida de outra pessoa? Ou podemos matar outras pessoas por omissão, se não acudirmos alguém ameaçado por um agressor ou não socorrermos um faminto? Num caso, para eu ser ético, basta não fazer mal algum. Não preciso fazer o bem. É suficiente não fazer o mal. Não fiz nada de errado. Mas desta maneira terei feito o que é certo? Talvez não. Porque a ética é exigente. Nunca serei ético comodamente. A ética me incomodará. A ética exigirá que eu lute contra a fome. E quando começo a pensar desse modo, não paro mais. Para ser ético, precisarei dar comida a quem está esfomeado? E bastará isso, se eu não batalhar pela adoção de políticas contra a fome? E essas, serão eficazes ou contraproducentes? Esse é um ponto essencial da discussão ética. Ela é interminável. Não visa a nos confortar. Está aí para nos questionar. Se não o fizer, será falsa. Uma ética confortável é apenas um álibi."
- (RIBEIRO, Renato Janine. Da ética e da política.)
(Source: sensocritico)
(Source: natnnow)